Archive for the ‘autoral’ Category

Educação de qualidade para quem precisa – Tancredo Jr

junho 14, 2008

Não é fato recente que ouvimos falar sobre a má qualidade do ensino público e privado no Brasil. Desde a pré-escola, passando pelo ensino fundamental – que deveria ter a responsabilidade de formar os pequenos alunos com bases sólidas –, têm-se percebido uma má vontade dos poderes públicos em promover uma educação de qualidade, seja ela oferecida pelo Estado ou provida pelas instituições particulares, que assumiram para si – de forma meio capenga – o legado de bastiões da formação intelectual do brasileiro.

Em se tratando de uma nação formada em sua essência na desigualdade e discriminação social velada, bem poucas famílias tem condições ou o privilégio de colocar seus filhos em uma boa escola paga, criando, assim, uma casta de “nobres filhos de papai”, que podem pagar uma boa escola, e outra de “pobres filhos sem pai”, aqueles que estão fadados ao fracasso intelectual por não possuírem condições de estudar em uma boa escola.

Essa precariedade educacional do País, que parece ser generalizada e já começa na base – solapada por má formação dos professores e seus salários baixíssimos – sugere, óbviamente, que o topo tende a desmoronar, lentamente, sem fazer ruído ou alarde, passando despercebido por aqueles que deveriam cuidar e zelar da intituição mais nobre que uma nação possui: a educação de qualidade para todos, gratuita, sem distinção de raça, credo ou condição social e econômica. Afinal, está na Carta Magna, o direito à educação é inegociável.

Tome-se como base e referência desse desnível econômico e social o fato de o próprio ministro da educação, Fernando Haddad, ter seus filhos matriculados em escola particular. É prova tanto do poder econômico no qual ele e sua família estão inseridos, quanto da sua evidente desconfiança na qualidade da educação pública.

Seria injusto, porém, apontá-lo como um Judas. Não só ele, mas a grande monta de políticos assim o faz.

Quem pode e tem juízo, por pior que seja, é melhor ter seus filhos e parentes estudando em escolas particulares do que em escolas públicas.

Tudo se explica facilmente, pelo menos na teoria. Depois do golpe militar de 64, a partir dos anos 70, o Brasil teria deixado de investir na qualidade educacional, por culpa dos governos militares, que se preocupavam mais com a caça aos comunistas do que com o que se ensinava nas escolas públicas.

Essa corrente de pensamento parece embasar-se na comparação com o nível do ensino público nas décadas de 50 e 60, pois quem viveu nesse período afirma que o glamour e a qualidade efetiva da escola pública era um referencial para todas as famílias tradicionais da época.

José Sérgio F. de Carvalho, professor de Filosofia da Educação da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP) aborda essa questão em um artigo de sua autoria denominado “A qualidade de ensino vinculada à democratização do acesso à escola”, publicado no site http://www.scielo.br.

Por fim, há inúmeras pesquisas, artigos e trabalhos acadêmicos que tentam decifrar, ao longo dos últimos cinquenta anos, o que realmente deu errado no sistema educacional brasileiro.

Fato é que a má formação, iniciada já na base da pirâmide (a pré-escola e o ensino fundamental), acarretará uma ruptura que só será notada de forma mais clara no topo, ou seja, no ensino superior, culminando com vexames de várias instituições de ensino superior constatado no Enade (Exame Nacional de Desempenho de Estudantes), que avalia o conhecimento dos alunos, e no IDD (Indicador de Diferença de Desempenho), que compara o desempenho de calouros e formandos e mede o quanto o aluno absorveu de conhecimento na universidade.

Em sua última edição, esses exames constataram, por exemplo, que a Universidade Federal da Bahia (UFBA), uma das mais tradicionais do país, obteve nota abaixo da média na avaliação do curso de medicina, o primeiro do país, criado em 1808.

Pode não ser nada. Mas se observarmos que do total de 17 universidades avaliadas pelo MEC, quatro são instituições geridas diretamente pelo poder executivo federal, estamos diante de um quadro que aponta para um sistema público de ensino superior que pode estar defasado e carente de reestruturação.

Em 2007, segundo dados do Censo da Educação Superior, o total de alunos que se formaram nas universidades públicas diminuiu 9,5%, e a principal razão dessa queda é a falta de investimentos dos governos federais e estaduais nas instituições que estão sob a sua gestão. Em segundo lugar, o censo aponta o descontentamento dos estudantes em relação à qualidade dos cursos oferecidos.

Sobram, assim, vagas nas universidades particulares, que oferecem cursos com péssima avaliação e poucos professores com mestrados ou doutorados, turmas com o dobro do número de alunos, alta rotatividade provocada pela ampla desistência. No final, essas universidades terão formado profissionais frustrados e sem o menor preparo para o mercado de trabalho.

Diante de tudo isso, cabe a nós, leigos ou doutores, estudantes ou professores, políticos ou cidadãos comuns, a missão de reavaliar se realmente esse é o modelo educacional que queremos manter para as próximas gerações, ou se desejamos uma reformulação completa do sistema que hoje nos é oferecido.

Mas não basta apenas desejar mudanças. É preciso enfatizar os erros já conhecidos e exigir dos legisladores e poderes executivos políticas públicas eficazes e consistentes, que tragam resultados evidentes.

Por Tancredo Junior

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Jornal O Pejoteiro

junho 6, 2008

Este é um trabalho que eu faço para a Pastoral da Juventude da Diocese de Bragança Paulista. É um micro-jornal, com o resumo dos acontecimentos das Foranias de Mairiporã (Caieiras, Franco da Rocha, Francisco Morato e Mairiporã), Atibaia (Atibaia, Piracaia, Bom Jesus dos Perdões, Joanópolis e Nazaré Paulista), Brangaça Paulista (Bragança Paulista, Tuiutí, Socorro, Pedra Bela, Pinhalzinho e Vargem) e Itatiba (Itatiba, Jarinú e Morungaba) que envolvem a Pastoral da Juventude. Há um colaborador para cada Forania, e as pautas são decididas via e-mail. O jornal é encaminhado a todos os jovens cadastrados, também via e-mail, devido à impossibilidade de impressão por falta de recursos. Entre os jovens das capelas, alguns imprimem o jornal para mostrar à comunidade, sinal dos trabalhos da juventude. As edições são enviadas bimensalmente e esta é a edição dos meses de Março/ Abril. Gostaria de receber comentários sobre o jornal, críticas (construtivas), dicas e opiniões.

Quem quiser dar uma olhada no blog do Jornal, é só acessar: http://www.opejoteiro.blogspot.com

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CIDADES BRASILEIRAS TESTAM NOVOS SEMÁFOROS DE LED (graveta – Cotidiano)

junho 5, 2008

Pesquisadores do Centro de Pesquisa em Óptica e Fotônica de São Carlos (Cepof) da Universidade de São Paulo (USP) criaram um novo semáforo que utiliza lâmpadas, chamadas de LED, que consome pouca energia e tem vida útil aproximadamente de 100 mil horas. Além disso, não requer a utilização dos filtros coloridos por onde a luz é emitida, reduzindo de 80% a 90% o consumo em relação às lâmpadas incandescentes com a mesma intesidade de iluminação, e consegue mudar de cor, intensidade e distribuição. O dispositivo também pode trazer mais segurança no trânsito e permite visibilidade maior aos motoristas. As luminárias LEDs são de 20W e as de pedestres de 12W.

 

O primeiro teste realizado pela CET de São Paulo foi em 1990, na Av. Faria Lima, e até hoje a lâmpada continua em perfeito estado, segundo artigo oficial publicado no site Sinal de Trânsito. O novo semáforo (foto ao lado), batizado de blackout, funciona até 90 minutos em caso de falta de energia e segundo os pesquisadores o custo dele é menor e pode ajudar as prefeituras a comprar mais equipamentos para melhorar o trânsito nos cruzamentos mais perigosos, não só de São Paulo, mas em cidades de outras grandes capitais do país, como já acontece em Belo Horizonte, Curitiba, Praia Grande (litoral paulista), São Bernardo do Campo (ABC paulista), entre outras. Pra substituir um semáforo convencional (orçado em R$ 30 mil com poste) por um a LED o investimento inicial é de R$16.800,00.

 

Confira na tabela abaixo uma comparação entre LED e lâmpadas com filamento:

 

 

Gisele Santos e Héctor Félix (sala 508 – JOR)

 

PARA OS DIAS DOS NAMORADOS

junho 5, 2008

O ciúme é um sentimento comum. Ele sempre esteve presente na maioria dos relacionamentos humanos, e indica geralmente um mecanismo de defesa contra possíveis ameaças ao relacionamento. A ausência de ciúmes pode representar para a pessoa amada indiferença, no entanto em excesso pode gerar problemas de convivência e brigas desnecessárias.

O ciúme é considerado uma demonstração de preocupação e amor, mas em muitos casos ele é visto como uma prova de possessividade e insegurança. O sentimento de posse gera em muitos casos uma situação de desconforto e constrangimento, que afeta ambos os envolvidos na relação.

Existem níveis de ciúmes, que podem ir do sentimento saudável e natural ao de angústia e possessividade. Este sentimento de posse pode muitas vezes tornar-se sufocante, tanto para a pessoa que o sente como para aquela que é alvo da possessividade. Um exemplo de como o ciúme pode ser utilizado como uma forma de estimular a relação é o fato de algumas pessoas provocarem seus parceiros, estimulando assim o medo da separação.

Controlar os sentimentos pode ser uma tarefa difícil. Definir a dose exata de ciúme varia de caso pra caso, e pode ser a diferença entre o sucesso e o fracasso dos relacionamentos. É preciso demonstrar cuidado para com o outro sem restringir sua liberdade. Devemos ter em mente que, acima de tudo, um relacionamento deve ter por base o respeito e a confiança mútua, e não a exclusividade e o controle sobre a vida de alguém.

TRÊS BANDAS ESPANTAM O FRIO DA CLASH CLUB

junho 4, 2008
Clash Club, 31 de maio de 2008. Uma noite gelada lá fora, com direito a todos os imprevisto de um tempo frio, desde forte ventania até chuva forte. Lá dentro, o rock´n´roll rolava solto com os shows de três bandas, que exibiam todo o poderio da voz feminina em seus vocais, aquecendo aquela noite fria por demais. O espetáculo? O lançamento da “Turnê do Troço”, uma novidade do Leela com diversas atrações e prêmios para os fãs, que vão desde jogos no site até a busca por códigos criptográficos em clipes da banda no Youtube, valendo diversos prêmios. As bandas convidadas? Killi e Fake Number!

Killi

Começando o show pontualmente às 20h, porque ainda tinham outro show pra fazer, o pessoal do Killi não demorou e logo pôs todo o povo pra agitar. Também, depois de mais de nove anos de carreira, a banda sabe muito bem como atender o público. Na platéia, fãs desesperados cantavam todas as músicas, gritando para a vocalista Ju Romeiro, tão bem aceita pelo pessoal quanto a antiga Mariana. Num show curto, onde rolaram os principais sucessos da banda, tais como “Desplugado” e “Algo Novo” e sobrou tempo até pra um cover do New Found Glory. Ju estava leve e solta no palco, e lançava o microfone ao público, sem medo algum, porque todos ali conheciam e muito bem o seu trabalho. Fãs apareciam com camisetas da banda, vibrando a cada música e a cada solo, e dando todo o apoio que uma banda merece quando está em cima do palco. Em todo o espetáculo, Killi mandou muito bem e mostrou que a experiência só poderia renová-los.
Fake Number

Chegar no palco por último, e ser aplaudida por todos, mesmo sem ter aberto a boca ainda. Foi assim que Elektra, vocal do Fake Number, chegou ao palco, depois de um solo bem organizado dos garotos da banda, cientes da superioridade imposta pela vocalista. E começava “Apenas Mais Um” em que a banda de Lorena viu-se invadida pela emoção do público. Fossem as guitarras de Gabriel e Pinguim, simples e performático, ou o baixo sempre animado do Diablo, a banda tinha uma sintonia arrasadora. Depois de tocar alguns sons, Elektra revela uma supresa: “Vocês são uns sortudos! Vão ser os primeiros a ver o nosso primeiro clipe!”. E enquanto se organizava no palco, rolava nos telões o clipe de “Aquela Música”, que acabou depois da canção apresentada no palco. Após vários sons pesadões, o Fake avisa: “Agora a gente vai tocar uma música mais calminha, diferente. Só que quem souber, canta junto, ok?”. Ela nem precisava pedir. Quando lançou o microfone à galera, todos já tinham na ponta da língua o “Mais difícil é saber que é verdadeiro e não poder sentir…” de “Platônico”, cantada do começo ao fim por todos, que pareceram adorar a idéia de a música “lerda” ter ido à playlist. Performáticos, os cinco integrantes da Fake Number encerraram o show com “Conto de Farsas”, abrindo caminho para a banda da noite… Leela.

O troço do Leela

Depois da básica troca de instrumentos, posicionamento do palco e tudo isto, lá estava Bianca Jhordão, vestida totalmente em lilás e com uma guitarra rosa na mão, simpaticíssima, dando boa noite a todos. Falamos com a cantora pra saber o que era a tal “Turnê do Troço” (e você verá mais detalhes em breve na TV Mundo Rock de Calcinha) e ela nos explicou que se trata de uma série de promoções disponíveis pra o fã no site do single “Pequenas Caixas” (www.pequenascaixas.com.br) e que nos shows também seriam disponibilizados fliperamas com o jogo pra os fãs jogarem, além de receberem conteúdos exclusivos via antena bluetooth e participar de diversas promoções com a banda.

 Para começar o show, “Amor Barato” e uma corda quebrada, que a sempre bem-humorada Bianca explica assim: “Nossa, que legal… é que eu sempre quis quebrar uma corda, e nunca consegui…” provocando o riso da galera, acostumados a simpatia que sempre vem da cantora. Pra mostrar que a banda é bem democrática, o cover de “Here to say I told you so” do The Hives, mostrou um Thago e um Rodrigo com vocais super poderosos, acompanhados por uma só segunda voz de Bianca, da mesma forma em que o poder da voz das mulheres apareceu no cover tocado por Bianca e sua amiga Luiza, do Fantasmina (foto ao lado). “Rádio Blá” cover do Lobão, sempre tem lugar nos shows, e foi seguida de “Amores Frágeis” do álbum novo, que todo mundo ali já cantava de cor. Para fechar com todas as emoções, vibrando sempre, Bianca gritava um “Essa garota se parece comigo”.

Set List

Killi
“Desplugado”
“Plano B”
“Final Feliz”
“Por acaso”
“Antisocial”
“Desafio”
“My Friends is over you” (Cover New Found Glory)
“Algo novo”
“Nananá”

Fake Number
“Apenas mais um”
“Mais do que palavras”
“Procurei em sonhos”
“Aquela Música”
“Como se você estivesse aqui”
“Segredos que guardei”
“Platônico”
“Conto de Farsas”

Leela
“Amor Barato”
“Odeio Gostar”
“Here to say I told you so” (Cover The Rives)
“Pequenas Caixas”
“Rádio Blá”
“Amores Frágeis”
(música com participação da Luiza)
“Um beijo pede Bis”
“Garota Espelho”

Créditos:
Texto e Fotos: Joyce Carvalho e Raquelline Marlusy

 

Resenha: MADEMA SAATAN – CD MADAME SAATAN

junho 4, 2008

Confesso não ser uma grande admiradora do heavy metal e não ter muita habilidade para o rock´n´roll mais agressivo. Mas FELIZMENTE (é em maiúsculo mesmo, porque essa merece!) a Sammliz (voz), o Ícaro Suzuki (baixo), o Edinho Guerreiro (guitarra) e o Ivan Vanzar (bateria) me surpreenderam. Letras cheias de conteúdo cultural, do início ao fim do álbum, agressividade em guitarras cheias dos mais gritantes riffs e a voz poderosa de uma paraense “arretada” fazem o álbum de estréia do Madame Saatan.

“Devorados” abre o álbum sem segredos. A sensação alucinógena que a repetição do refrão “Dormindo nos braços da estátua com folhas nos dentes” com a força do vocal de Sammliz entra na sua cabeça e encaminha seus pensamentos. Impossível não se impressionar também com a estranha “Molotov”, que define bem os sentimentos de alguém perdido, sem rumo, talvez até no fim de um relacionamento.

“Duo” também é cheia de sentimentos humanos, descritos com precisão e lucidez, conforme alguém que lê a alma de outro. Mas “Vela” consegue sim ser uma das músicas mais intrigantes do álbum, misturando a fé e a força da falsidade daquele não poucos que adoram a dois deuses, nas palavras revoltosas da letra “Filhos de Deus em lótus – devotos, sagrado ócio – na hora divina da vida mundana – fogo nas fitas em braços – Que acendem velas pra Deus, Diabo – Rezam e dançam o Auto do céu – profano circo, sagrada força”.

“Cine Trash” é a pesada e insistente busca a um amor inexistente, que “Que pudesse meu pulso bater novamente”. “Apocalipse” não podia ter nome mais perfeito. Mas definitivamente o que causa maior impacto (e surpresa também) é ver Gregório de Matos cantado na voz da encantadora Sammliz. Gregório, como se sabe, foi um grande poeta barroco tão conhecido por suas canções de escárnio que foi apelidado de “Boca do Inferno”. A música “Prometeu” que fecha o álbum do Madame Saatan, adaptou o poema gregoriano à versão Madame Saatan.

Sem mais o que dizer sobre este trabalho maravilhoso desta banda piauiense que ainda tem muito o que mostrar, deixo o conselho. Escute! Vale a pena!

Nota 8,0

Madame Saatan
CD Madame Saatan
Ano 2007
Gravadora: Ná Records, Cubo Discos,
Fósforo Records e Fora do Eixo

Faixas:
01 – “Devorados”
02- “Gotas em Caos de Serra Avenida”
03 – “Molotov”
04 – “Duo”
05 – “Vela”
06 – “Cine Trash”
07 – “Apocalipse”
08 – “Ele queima ela sorri”
09 – “Messaína Blues”
10 – “Prometeu”

por: Raquelline Marlusy (sala 508 – JOR.)

 

A IMPRENSA BRASILEIRA COMPLETA 200 ANOS NESTE DOMINGO

junho 2, 2008
200 anos da Imprensa1º de junho tem espaço garantido na agenda de todos os jornalistas brasileiros, pois é o Dia da Imprensa. Essa data era comemorada dia 10 de setembro, quando começou a circular “A Gazeta do Rio de Janeiro”, mas mudou devido a contestações de historiadores. Então assim foi criada a lei nº 9.8831 de 1999 determinando que a data mudasse para 1º de junho, dia do nascimento do primeiro jornal brasileiro em língua portuguesa, “Correio Braziliense”, criado por Hipólito da Costa (jornalista exilado na Inglaterra). Mas não podemos esquecer que meses antes, em maio de 1808, D. João fundou a Imprensa Régia, que mais tarde foi batizada como Imprensa Nacional. E quem diria, quase 143 anos depois Assis Chateaubriand construiu um verdadeiro império, os “Diários Associados” (34 jornais, 36 emissoras de rádio, 18 canais de tevê, 01 agência de notícia, as revistas “O Cruzeiro” e “A Cigarra”). E graças a ele a primeira emissora televisava, a TV Tupi, em 1950, a popularizando no país.

A história da imprensa pode ser até confundida com a história do país, porque há grande vínculo principalmente com a política e passou por períodos da mordaça (ditadura militar) e comemorou a democracia junto com a liberdade de expressão.

Ao resolver escrever esse texto, fiquei pensando que seria melhor propor debates (algo muito presente ou que deveria ser no curso de jornalismo, caso também existisse interesse dos alunos – coisa rara hoje em dia), como: Será mesmo que vivemos em liberdade de expressão? Ao folhear várias revistas no final do mês de abril vi várias publicidades reivindicando a falta dessa liberdade, promovidas pela Abap (Associação Brasileira de Agências de Publicidade), pois estão censurando os comerciais de cerveja. O que adianta censurar os comerciais, se as cervejas continuam sendo vendidas em beira de estrada, baladas, supermercados? E não pára por aí, programas de televisão também estão sendo censurados. Tem algo estranho no ar… Precisamos acordar!

Jornal, revista, rádio, televisão e internet. Ah… internet! Anda assustando os jornais impressos, como acontecia na época da tevê versus o rádio. E olha que muitos diziam que o rádio não iria sobreviver, e cá está ele firme e forte com seus 85 anos. Passaram 200 anos e os mesmos medos continuam. Ninguém pensa em somar, tudo é concorrência. Amor à profissão? Vejo poucos assumirem. Alguns por decepção, outros por timidez e muitos por ambição. Mas a dona Imprensa está aí, no dia-a-dia de cada cidadão, em suas várias formas (áudio, papel, digital, imagem), sendo por excelência prestadora de serviço e os olhos da nação, mesmo que utilize na maioria das vezes doses exageradas de sensacionalismo e irresponsabilidade como aconteceu no inesquecível caso da Escola Base em 1994 (quando pais acusaram os donos da escola de ter abusado sexualmente dos alunos). Muitas manchetes de vários veículos anunciavam ser a “Escolinha do sexo”. E a mesma Folha de S.Paulo que ganhou força por cobrir todo o movimento das Diretas Já, comemorando o fim da ditadura na década de 80, sem se preocupar em apurar devidamente – através do Grupo Folha – publicou matéria com o título “Perua escolar carregava as crianças para a orgia”. Segundo o site Consultor Jurídico, no final de maio de 2008, o Grupo Folha foi condenado a pagar R$200 mil de indenização por danos morais para R.F.N., hoje com 18 anos e na época com apenas quatro, filho de um dos casais acusados de abusar sexualmente de crianças. É o quarto poder de imprensa, que constrói e destrói. E mesmo assim ainda encanta milhares de pessoas que não conseguem viver sem ela.

A mesma Imprensa que nos mostra as participações de nossos atletas em jogos olímpicos ou Copa do Mundo e nos faz emocionar quando sobem ao podium pra receber medalhas batalhadas para nós, orgulhosos brasileiros. E reportagens que nos ensinam a cultura de vários lugares do mundo (uma ótima oportunidade pra quem jamais pode ou conseguirá ir até esses locais).

Esta é a Imprensa. Uma jovem senhora de 200 anos que viveu e ainda vive intensamente fatos históricos e nos ajuda a relembrar todos eles diariamente, sempre renovando com tragédias ou não. E nós, futuros jornalistas, precisamos batalhar pra que ela se mantenha viva, não permitir que o sistema a destrua, honrando nomes como Vladimir Herzog (que aos 38 anos de idade foi preso, torturado e morto nas dependências do DOI-CODI, órgão vinculado ao II Exército, no dia 25 de outubro de 1975, em São Paulo), entre outros jornalistas guerreiros que lutaram pela Liberdade de Imprensa.

LIBERDADE DE EXPRESSÃO ONTEM, HOJE E SEMPRE!

 

Gisele Santos 01/06/2008

(sala 508 – JOR – 5º semestre)

QUE ABOLIÇÃO É ESTA?

junho 1, 2008
No último dia 13 de maio foi comemorado os 120 anos da abolição da escravatura no Brasil. Espera aí! Comemorado? Como usam essa palavra pra uma data que ainda não pode ser comemorada? Digo isso, usando um triste exemplo verídico, pois um dia antes de tal data “comemorativa” meu amigo foi comprar uma pizza para nós e alguns amigos. Minutos depois ele voltou dizendo que esqueceu o RG. Eu logo falei “ué, mas a pizzaria é ali na esquina”. E com lágrimas nos olhos ele contou que não poderia ir até a esquina sem o RG, pois um dia o esqueceu em casa e policiais mandaram colocar mão na cabeça pedindo documento e ao perceberem que ele não tinha identificação, bateram nele o tratando como ladrão e o jogaram dentro do camburão. Sim, ele é negro.

Pois é, 120 anos após a luta contra o racismo e abolição, essa “conquista” ainda é desejada. Uma pessoa negra não pode sair de casa sem o RG… Que abolição é esta? No site oficial do Senado Federal comemoram a data e disseram em nota que hoje em dia não existe racismo no país, graças à Lei Áurea da Princesa Isabel. Coitada, deve até se revirar no túmulo. Como dizia o falecido cantor e compositor Renato Russo: “Que país é este?”.

Por que meu amigo não fez nada pra provar a sua inocência? Como diz um trecho da letra da música “A Carne”, de Marcelo Yuka e Seu Jorge, interpretada por Elza Soares: “O cabra aqui não se sente revoltado, porque o revólver já está engatilhado…”. E no refrão: “A carne mais barata do mercado é a carne negra”. Mão de obra barata ou gratuita, limpa a casa ou é lixeiro ou é pedreiro, como acontecia com os antepassados escravos dos grandes barões do açúcar e do café, padres, comerciantes.

 Gisele Santos (JOR – sala 508 – 5º semestre)

Resenha: CACTO ROSA – CD O TEMPO NECESSÁRIO

junho 1, 2008

Qual foi a minha sensação ao ouvir o CD de estréia da Cacto Rosa? Além de relembrar minha longínqua infância com o pezinho na adolescência, ter de volta aos ouvidos o estilo de som dos anos 80 feito por muitas bandas do rock nacional e também algumas pitadinhas de Beatles. E o que mais me chamou atenção foi a banda arriscar nos tempos atuais em fazer o estilo proposto, principalmente nessa época de músicas vazias, feitas pra vender muito e depois que arrancam toda a grana dos fãs os artistas somem sem ao menos dizer adeus. Pra Bibiana Arriaga (voz e guitarra) e Carole (bateria) não será tarefa fácil conquistar grande público logo de cara, apesar da banda já ter quatro anos de estrada, principalmente os jovens que consomem muita coisa promovida pela mídia de massa (rádio e tv) – modinhas cometas. Por outro lado é legal perceber que a banda fez um trabalho sincero em “O tempo necessário”. E como já diz o nome do CD, a dupla gaúcha o terá pra mostrar que não fizeram música por fazer, mas sim com suas influências, gostos, vivências, sentimento e dedicação.

As faixas “Alguém” (lembra Rita Lee) e “Não vou atrás” são as mais anos 80, com coros no refrão. “Erros e acertos” com o som dos teclados do hammond (órgão elétrico) logo no início faz até lembrar as trilhas de novelas daquela época. E por falar nisso, “Desculpas tolas” é forte candidata em fazer parte de alguma telenovela e com grande chance de conseguir, pois finalmente hoje existe um vasto leque de opções – já que o monopólio da dramaturgia televisava brasileira não pertence mais somente àquela grande emissora.

A voz de Bibiana é grave, não digo parecida, mas segue a linha de Ana Carolina, Cássia Eller, Zélia Duncan. Os vocalistas Vinicius Tonello e Leonardo Brunelli (também produtores do disco) acompanham Bibiana em alguns refrões, Luciano Albo (ex-Cascavelletes) no baixo e Luigi Pertile (algumas composições). A guitarrista Paulinha Arruda participou em algumas músicas.

Algo que eu não sou muito fã, o que acontece não só com Cacto Rosa, mas com muitas bandas, é ouvir música após música muito parecida. Não digo a letra, mas sim a forma de interpretar e a parte instrumental também. Parece seguir a mesma batida e confesso que até voltei a ouvir várias vezes algumas faixas por me perder, já sem saber qual era qual. E às vezes dá um sono…

Bom, muita gente poderá até torcer o nariz quando ouvir pela primeira vez esse CD – principalmente quem não viveu os inesquecíveis anos 80 (década de grande produção da cultura musical brasileira, logo após a ditadura militar, inclusive Cacto Rosa também tem letra que fala sobre liberdade de expressão, na faixa “Limite”). Mas é uma ótima pedida pra quem quiser saber o que ouvíamos há quase 30 anos atrás. E quem viveu naquele tempo, pode apostar que são 50 minutos saudosos.

Nota 7,5 

Cacto Rosa
CD O tempo necessário
Ano 2007
Gravadora Independente

Faixas:
01- “Alguém”
02- “Canção do desamor”
03- “Em segredo”
04- “Mentiras para sorrir”
05- “Não vou voltar atrás”
06- “Erros e acertos”
07- “Eu sigo”
08- “Então”
09- “Limites”
10- “Desculpas tolas”

Site: www.cactorosa.com.br

por: Gisele Santos (5º semestre – JOR. – sala 508 -)

 

O SITE DA BANDA É SUA VITRINE

junho 1, 2008

Esta é a primeira parte de uma série de matérias sobre a organização do material da banda, registro do nome e das músicas, divulgação, profissionalismo e a importância de uma assessoria de imprensa na vida produtiva de uma banda – principalmente independente.

Vamos nos organizar?

Trabalhando com rock a mais de 08 anos sempre percebi a falta de organização do material das bandas. Muitas possuem sites, mas as informações estão bagunçadas e várias coisas nem precisavam estar ali expostas.

É muito importante a banda ter um site oficial, pois facilita muito para jornalistas e público verificarem as novidades e o histórico, sendo também uma forma de divulgação. O site da banda é a vitrine na Internet e comparando com uma loja, imagina se as vitrines fossem bagunçadas e sem atração alguma aos clientes? Prejuízo ao lojista na certa, não é mesmo?

O mesmo acontece com a banda! Muitas vezes desisti de querer encontrar algo, mesmo me esforçando, e ao pedir o material pelo e-mail outro desastre: release com texto em caixa alta e um verdadeiro assassinato gramatical.

Quer melhorar o site e organizar o material da sua banda? Então vamos lá! O primeiro passo é fazer um menu para o site com informações básicas e objetivas, como: história, fotos, discografia, agenda, notícias, links, na mídia, aúdio e vídeo, merchandise e contatos.

Passo a passo do conteúdo:

História (release da banda): quando e onde foi formada, quem a formou, o porquê do nome escolhido, formação atual e seus respectivos instrumentos, principais eventos que o grupo participou e lançamento de EP ou CD;
Fotos: da banda inteira e individuais posadas, principalmente am alta resolução para veículos de comunicação impressos poderem baixar para publicar com qualidade em matérias;
Discografia: capas, nomes dos CDs, datas de lançamentos, gravadoras e faixas (é bacana sempre deixar o link da música de trabalho inteira e com boa qualidade de áudio disponível para as pessoas ouvirem);
Agenda: o internauta poderá conferir onde e quando serão os próximos shows, sendo uma boa fonte de divulgação (também é legal deixar no rodapé onde já tocaram, para as pessoas saberem por onde a banda já passou com seu show ou turnê);
Notícias: uma ótima maneira de deixar as pessoas sabendo o que está acontecendo com a banda, principalmente quando estão participando de votações em concursos ou músicas sendo veiculadas em rádios (geralmente com e-mails para pedidos musicais);
Links: parcerias, sites de música, patrocinadores, outras bandas, até mesmo links da banda no orkut e derivados, fotologs;
Na mídia: tudo o que foi publicado (entrevistas, resenhas de shows e CDs) é citado com datas e links, também as participações em rádio e TV; é importante ter nesta seção uma coluna chamada “Material para imprensa” com: download para foto em alta resolução, download do logotipo em alta resolução, download do release em DOC-Word, download do release do CD em Doc-Word, download da música de trabalho em mp3, download das capas dos CDs em alta resolução e download do mapa de palco. Isso tudo facilita muito a vida dos jornalistas e também da banda ou assessoria de imprensa, principalmente por não congestionar caixinhas de e-mails com este material em alta resolução que geralmente é pesado;
Áudio e vídeo: download da música de trabalho e caso a banda tenha vídeo clipe também é legal disponibilizar para download – teu site poderá ser visto pelo mundo inteiro, é uma forma bacana para as pessoas assistirem e ouvirem o seu trabalho;
Merchandise: muita banda ainda não tem gravadora e distribuidora para vender o CD em lojas, então é importante deixar os contatos para as pessoas saberem como comprar o material, sendo também uma seção para venda de camisetas, bonés, etc;
Contatos: telefone e nome do contato para shows; e-mails dos integrantes; telefone e e-mail da assessoria de imprensa.

Viu? Não é um bicho de sete cabeças e pode acreditar, organizar o material da banda no site já é um grande passo para ser enxergada como profissional.

Gisele Santos (sala 508 – 5º SEMESTRE – jorn.)