Matéria de gaveta: A politização está indo para as periferias

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Com a proximidade das eleições, todos os setores da sociedade se agitam. Programas eleitorais, noticiários eleitoreiros, ações de propaganda e um número recorde de escândalos. Assiste-se ao circo armado pela imprensa brasileira na cobertura eleitoral, promovendo-se uma verdadeira poluição informativa, que, na realidade, tem formado opinião em vez de informar o eleitor, principalmente em relação àquele que não tem condições de assimilar e entender as informações passadas.

 

 

Nos subúrbios, localiza-se a massa trabalhadora que sai antes do sol raiar e só retorna no início da noite. Cansada por mais um dia de luta pela sobrevivência, só pensa em chegar em casa para restabelecer as forças, acompanhar a programação televisiva, ou seja, alienar-se pela novela para esquecer os percalços de sua realidade massificante – trata-se, pois, da fuga de cada dia que tem construído uma sociedade alheia à sua realidade política. Ficando, então, sem tempo e capacidade para se informar sobre a política e a economia do país – vivendo de “pão e circo”. E assim, fortalece-se o discurso das ilusões, das promessas reconfortantes; fala-se o que o povo quer ouvir e, principalmente, aquilo em que ele quer acreditar. Eis, portanto, uma face do processo de politização às avessas da periferia.

 

Na outra face desse processo, muitas ONG’s estão diariamente fazendo com que essas pessoas se interajam mais com os acontecimentos diários, por meio de diálogo, e não impondo as informações. Como exemplo, a comunidade de Heliópolis, onde a maioria dos moradores repudia a alienação das telenovelas, devido ao fato de não retratar a sua realidade. Preferindo então ouvir a rádio local, a fim de buscar soluções, conjuntamente, para uma melhoria na qualidade de vida, cobrando quem lhe deve. Ou seja, não esperam que os governantes tomem atitude, eles irão cobrá-los, pois, quando informados, sabem em quem votaram, o que lhes foi prometido, e, acima de tudo, o que lhes é de direito. É um programa de politização gradual, que está além panfletagem televisiva.

 

Acontece que, exemplos como esse de Heliópolis ainda não compõe todo o cenário das periferias – são casos pontuais. O que faz dessa sociedade um instrumento passivo à politicagem dos dias de hoje.

 

O desinteresse assola a massa, pois a cultura popular brasileira cada vez mais se vira para o conformismo.

É o famoso “tá ruim mas tá bom”, “rouba mas faz”, ou então o histórico “ai que preguiça” de Macunaíma. Alimenta-se, assim, a ética da malandragem política, já que a principal arma contra a corrupção é uma sociedade politizada e participativa. Todavia, não se tem conscientização política sem educação de qualidade: a maior vergonha do Brasil não está no Vale do Jequitinhonha, está nas salas de aula; a nossa pobreza não é denunciada pelo “Fome Zero”, mas sim pelo nosso analfabetismo funcional – somos todos Fabianos à mercê dos ventos sazonais soprados pelo poder.  

 

Finalmente, os políticos brasileiros cada vez mais subestimam a sociedade, fazendo do horário político um circo, onde cada um promete coisas surreais, e o povo desinformado acredita, pois logo não está interado com os acontecimentos atuais. Ainda. a população muitas vezes devido à corrida pela sobrevida, acaba não tendo oportunidades de estudo, tendo que aceitar sua condição. E os governantes se aproveitam e até se desinteressam pela educação para manter seus currais eleitorais, onde se comercializa o voto tal qual em uma feira livre.

 

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