OZZY OSBOURNE DÁ BANHO DE HEAVY METAL E ÁGUA NA PLATÉIA DO PARQUE ANTÁRTICA

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Com trânsito congestionado, principalmente por causa de um novo shopping, a região da Pompéia (zona oeste de São Paulo) nunca esteve tão movimentada em toda a sua história. E ao lado, na mesma rua do novo estabelecimento, o estádio do Palmeiras (Parque Antártica) reuniu cerca de 38 mil jovens e adultos que conferiram três shows, no último sábado, dia 05 de abril: Black Label Society, Korn e Ozzy Osbourne.

Zakk Wylde religioso?

Às 19h30 em ponto o Black Label Society subiu ao palco. Na estrada desde 1998, liderada pelo fiel parceiro e guitarrista de Ozzy Osbourne, Zakk Wylde, a banda deu um show de heavy metal durante 40 minutos e fez um passeio por alguns álbuns de sua carreira com músicas do “Eternal” (2002), “The Blessed Hellride” (2003, quinto CD de estúdio), “Mafia” (2005) e do último lançamento “Shot to Hell” (2006, sétimo CD dos californianos).

Os músicos do Black Label Society demonstraram felicidade por tocar em terra tupiniquim. No final da apresentação Zakk ajoelhou-se em agradecimento ao público e, por mais que alguns críticos digam que metal é coisa do diabo, o cara fez até o sinal da cruz oferecendo sua guitarra ao céu. E não, ele não emprestou a guitarra para o público paulista tocar, como fez no show realizado no Rio de Janeiro, dia 03 de abril, quando a platéia carioca devolveu o equipamento todo arrebentado fazendo Zakk ficar furioso. Talvez o público brasileiro ainda não saiba que nos shows fora daqui é normal os músicos emprestarem seus instrumentos e até microfones para os fãs participarem um pouco, tocando ou cantando. Anos atrás tínhamos problemas com o mosh. O músico se jogava e o público – que deveria transportar o ‘cara’ com as mãos como uma onda por cima da cabeça – deixava o camarada se espatifar no chão.

A gratidão de um Jonathan Davis mais falante

Noite fria, troca de palco em 20 minutos. Às 20h32 lá estavam eles em cena, os integrantes do Korn. Diferente da primeira apresentação da banda no país, em março de 2002, Jonathan Davis dessa vez estava mais comunicativo. O vocalista usava um kilt (saiote escocês) de tecido camuflado militar, figurino adotado por ele desde o começo das atividades do Korn em 1992, e utilizando um pedestal de microfone – feito em aço com traços do corpo de uma mulher – agradeceu Mr. Osbourne pela força no início de carreira, quando os convidou pra participar do Ozzyfest. Daquela época pra cá o Korn sempre participa das turnês do Príncipe das Trevas. Davis também disse estar contente em voltar ao Brasil e prometeu tocar novamente aqui em breve.

O set list de uma hora contou com músicas dos oito CDs de estúdio da banda, inclusive duas do novo álbum “Untitled” (2007): “Hold On” e “Starting Over”. O público agitou muito durante “A.D.I.D.A.S” e “Freak on a Leash”, ambas oferecidas por Davis aos fãs das antigas. Outro, digamos, ‘ponto G’ foi quando a platéia fez um show à parte cantando em coro o refrão de “We Will Rock You”, música do Queen que o Korn tocou mesclando com “Coming Undone”, a qual tem batida parecida com a música dos ingleses.

O Korn é considerado pioneiro do new metal, mas com o passar da década de 90 esse estilo – que foi muito criticado e pouco aceito – ganhou outro nome: metal industrial e experimental. Sem medo das críticas, principalmente dos fãs, o grupo arrisca misturar heavy metal, hip hop, beatbox (som percussivo com a boca) e muita, mas muita percussão que faz o coração de qualquer um disparar e ninguém consegue ficar parado.

Ozzy desafina, mas não perde pique e simpatia

Nova troca de palco, 40 minutos de espera. Talvez um longo intervalo para incentivar o consumo de comes e bebes dentro do estádio: copo d’água (R$3,00), copo de cerveja (R$6,00), copo de refrigerante (R$4,00), hot dog (R$4,50). Mas a maioria dos fãs estavam ‘presos’ na multidão – principalmente a turma do gargarejo das pistas ‘normal’ e vip. Sim, aquele pessoal que não desgruda da grade. Resultado: resmungos, cansaço (tinha gente em pé desde cedo), impossível comprar água entre a platéia mais ‘esmagada’ (é a turminha do “daqui não saio, daqui ninguém me tira”), várias pessoas atendidas pelos seguranças passando mal por causa do excesso de bebida alcoólica ou por não suportar tamanha aglomeração. É como numa maratona, você vê na face da pessoa a expressão da derrota. E a reta final era ‘simplesmente’ o show do Mr. Madman.

Aos heróis sobreviventes, às 22h13, Ozzy perguntou atrás do palco “Eu quero ouvir vocês. Alguém aí?”. Claro que a resposta foi imediata, repleta de gritos histéricos e o já típico “Olê, olê, olé, Ozzy, Ozzy”. Em seguida os telões mostraram imagens hilárias de Mr. Osbourne participando de algumas séries de tevê e filmes, entre eles: “Lost”, “The Office”, “Entourage”, “Família Soprano”, “Dancing with the stars”, “Piratas do Caribe”, “Borat”, “A Rainha”. E não pára por aí! Você lembra da banda Ok Go? Sim, os ‘caras’ que dançam nas esteiras de academia! Pois é, até no clipe “Here It Goes Again” a edição mostra Ozzy arriscando alguns passos da coreografia. Se quiser assistir ao vídeo da abertura do show, acesse aqui.

Com 1h40 de duração, a apresentação do Ozzy Osbourne contou com músicas dos discos “Blizzard of Ozz” (1980), “Bark at the moon” (1983), “No more tears” (1991), “Black rain” (2007) e alguns clássicos do Black Sabbath: “War Pigs”, “Iron Man”, “Paranoid”.

Quase 22h20 a intro da cantata “Carmina Burana”, de Carl Off, soava no volume máximo em todo o estádio. Pra quem não sabe, muitas vezes essa música é utilizada em início de espetáculos porque acelera o batimento cardíaco do público. Enfim, ajudou bastante mesmo, pois quando Ozzy pisou no palco – anunciado pelos primeiros riffs de “I don’t Wanna Stop” – foi uma verdadeira explosão de energia da platéia somada com a espera de 13 anos pela volta do ex-líder do lendário Black Sabbath. Ele veio pro Brasil no Rock in Rio (1985) e no extinto Monsters of Rock em São Paulo (1995).

Zakk Wylde na guitarra, Rob “Blasko” Nicholson no baixo, Mike Bordin na bateria (ex-Faith No More) e Adam Wakeman nos teclados (filho de Rick Wakeman) são músicos competentes que dispensam apresentações e apóiam perfeitamente Ozzy, que aos 59 anos de idade já não é mais o mesmo: desafinou várias vezes durante a sua perfomance, sua voz não apresenta variações (muitas vezes monocórdia, ou seja, monótona) e diferente da apresentação no Monsters of Rock, quando tirou a camiseta e arranhou seu corpo com as próprias unhas, dessa vez ele não arriscou ficar sem a camisa, pois tentava esconder a grande barriga. Mas é inegável o carisma do showman que não perde o pique durante os shows e é respeitado no cenário heavy metal mundial, servindo de influência para muitas bandas, pois carrega na bagagem de quase 40 anos de estrada: 10 discos da carreira solo, 08 de estúdio com o Black Sabbath, centenas de shows, dezenas de vídeos, além do grande sucesso com o reality-show The Osbournes (lançado pela MTV em 2002) e o Grammy de melhor música em 1990.

Ozzy não bebe sangue de morcego, mas Zakk dá o sangue

Em “Suicide solution”, a terceira música do set, Ozzy pegou atrás do palco vários baldes azuis e despejou na platéia toda água que havia dentro deles, inclusive nele (veja foto ao lado). E logo em seguida Mr. Osbourne virou de costas, tirou a calça e mostrou as nádegas, arrancando aplausos e gargalhadas entre a platéia. AQUI

Zakk Wylde fez um cansativo solo de quase 8 minutos de duração, mas ganhou admiração de todos, pois foi muito valente em suportar a dor nos dedos da mão direita que estavam sangrando – cortados por uma corda que soltou da guitarra – sendo que o próprio instrumento ficou com manchas avermelhadas. Pois é, não teve sangue de morcego mastigado pelo Ozzy, mas Zakk deu o sangue até o final do show. Veja o vídeo de Zakk machucado

Set List Ozzy Osbourne
01. “I don’t wanna stop”
02. “Bark at the moon”
03. “Suicide solution”
04. “Mr. Crowley”
05. “Not going away”
06. “War pigs”
07. “Road to nowhere”
09. “Crazy train”
10. “Iron man”
11. “I don’t know”
12. “No more tears”
13. “Here for you”
14. “I don’t want to change the world”
Bis:
15. “Mama, I’m coming home”
16. “Paranoid”

Set list Korn
01. Intro
02. “Right now”
03. “A.D.I.D.A.S”
04. “Hold on”
05. “Startin over”
06. “Falling Away from me”
07. “Coming Undone” com “We will rock you”
08. “Here to stay”
09. “Shoots and ladders” com “Helmet in the Bush”
10. “Faget”
11. “Freak on a leash”
12. “Evolution”
13. “Somebody someone”
14. “Got the life”
15. “Blind”

Set list Black Label Society
01. “New religion”
02. “Been a long time”
03. “Suffering overdue”
04. “Bleed for me”
05. “Suicide Messiah”
06. “Fire it up”
07. “Concrete jungle”
08. “Stillborn”

Gisele Santos – sala 508 – Jornalismo (texto)
Fotos: Marcelo Rossi (Media Mania)

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5 Respostas to “OZZY OSBOURNE DÁ BANHO DE HEAVY METAL E ÁGUA NA PLATÉIA DO PARQUE ANTÁRTICA”

  1. Daniela Sartori Says:

    Não sou muito fã de Ozzy, e desconheço as outras bandas que se apresentaram, mas adoraria ter visto algumas cenas descritas: Solo de guitarra com 8 miutos não é fácil, ainda mais com os dedos sangrando; Ozzy cantando “Mr. Crowley” e “Mama, I´m coming home”, e as nádegas brancas e pelancudas do Ozzy – impagável! rsssss

    Teve cobertura do Mundo Rock, Gi?

    Beijos

  2. giselesantos Says:

    teve a cobertura sim dani !!! depois assista ao video que linkei no youtube, é hiláriooo!! abertura do show !!!

    beijocas

  3. giselesantos Says:

    aiiiiii esse word press é terrivel, subiu o link, eu formatei ontem 500 vezes

    eu nunca tinha usado word press, faço sites há 10 anos e utilizo serviços de blog 6 anos, não gostei do word press!!!!!!

  4. renatagollo Says:

    Eu estive no show e tenho algo a acrescentar. Gosto bastante do trabalho musical feito pela banda Korn, acompanho eles desde o início inclusive estive no 1º show deles.Infelizmente, apesar de ter mudado o nome de new metal para metal industrial e experimental a resistência do público que foi ouvir Ozzy foi grande e até explícita ao novo estilo musical. Durante, e ao final da apresentação o público gritava por Ozzy.Fiquei muito descontente com esta atitude mal-educada do povo brasileiro. ele foi super receptivo desta vez e acho que se esforçou bastante para conquistar o público.Tenho minhas dúvidas se ele voltará a pisar em solo brasileiro.

  5. leandro Says:

    que show!!!

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